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sábado, 3 de maio de 2014

Ansiedade e Câncer

A ansiedade e o diagnóstico de câncer permanecem juntos, visto que, vivemos num cenário onde a idéia de falecimento é encarada como tabu, e debates acerca do assunto vistos como mórbidos, tanto que taxados como impróprios para crianças, doenças como o câncer são tidas como desumanas, conseqüentemente, o seu diagnóstico dá início a uma variedade de transtornos ansiosos. Ao investigarmos as condições clínicas do paciente oncológico, encontramos aquele de Aparência Envelhecida, o Humor Ansioso, a Fala Logorreica e Emotiva, com Superabundância de idéias, de Estado Normal Consciência, Auto e Alo Orientados, Memória Remota, Boa Concentração, Pensamento Abstrato Normal, Boa disposição para o Insight, e Atitude Franca frente ao terapeuta. Tais condições clínicas subsidiadas pela avaliação do estado mental, nos revelaram a existência de ansiedade, a qual foi posteriormente comprovada pela aplicação da escala de avaliação de ansiedade de Hamilton. Observamos durante a entrevista uma Resistência quanto ao diagnóstico de câncer refletindo a maneiro como os pacientes lidam com o sintoma. Tal posicionamento abrange mais de 60% em que diferentes colocações são traduzidas numa mesma idéia “Eu descobri por acaso, achava que o que tinha não era importante, por isso não cuidei logo”. Dentro deste discurso foi possível destacar três características de ansiedade, a Apreensão com 50% do percentil, o Desânimo com 35% e a Falta de Apetite com 15%. O medo da Morte como também sentimentos duvidosos quanto a Recuperação estiveram presentes em 80% das falas dos entrevistados, quer seja no momento em que descobriu o diagnóstico, quer pelo prolongado tratamento. Kastenbaum e Aisenberg (1983) afirmam que o ser humano lida com duas concepções em relação à morte: a morte do outro, da qual todos nós temos consciência; e a concepção da própria morte, a consciência da finitude, na qual evitamos pensar, pois, para isto, temos que encarar o desconhecido. No entanto, não se está preparado para nenhuma delas. Por fim, é preciso ressaltar o importante papel da família durante todo o processo de internação, esta representa mais do que a simples presença de alguém promovendo cuidados ao paciente, para a maioria deles é sinônimo de recuperação. Em nosso trabalho encontramos um percentil de 70% dos casos com a existência de no mínimo dois parentes próximos participantes atuantes, o que de forma direta ou indireta reflete na atitude dos doentes frente ao diagnóstico. Quanto aos pacientes de famílias ausentes, seria interessante investigar quais os possíveis transtornos ansiosos advindos de tal abandono, o que representa na história de vida deles, essa é uma das muitas oportunidades a serem investigadas. É preciso pontuar o quão enriquecedor foi para nós a possibilidade de vivenciarmos a realidade do sintoma de câncer, que ainda se encontra associado ao sofrimento e morte, bem como, suas inquietações, suas ansiedades. No entanto, em face da amplitude dos referidos temas aqui abordados, o nosso trabalho foi apenas uma das muitas interrogações que por ventura virão. Fonte: Do transtorno de ansiedade ao câncer Arilane da Silva Vasconcelos*; Cristina Costa**; Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa***

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